Inquérito Municipal · Maricá

Inquérito Municipal sobre Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT)

Produção de informações para apoiar estudos técnicos e o planejamento de políticas públicas em saúde no município de Maricá.

O Inquérito Municipal DCNT é uma iniciativa do Instituto Municipal de Informação e Pesquisa Darcy Ribeiro (IDR), desenvolvida para ampliar a disponibilidade de informações sobre doenças crônicas, hábitos de vida, alimentação e estado nutricional. O projeto resultou na produção de uma base de dados e de produtos técnicos destinados ao apoio à gestão pública.

71,5%
dos participantes com medida válida apresentaram excesso de peso, com peso e altura aferidos diretamente
Obesidade (33,4%) Sobrepeso (38,1%) Demais participantes (28,5%)
Cada célula = 1% da subamostra com antropometria válida (n = 10.907) · peso e altura aferidos diretamente, protocolo SISVAN
Panorama por distrito e faixa etária

Temas investigados

Os dois quadros-síntese do inquérito, sempre comparando distritos e faixas etárias entre si — reunindo perfil demográfico, doenças crônicas, alimentação, atividade física, tabagismo, consumo de álcool e programas sociais.

Perfil demográfico Doenças crônicas Alimentação Atividade física Tabagismo Consumo de álcool Programas sociais
i Os percentuais abaixo referem-se aos participantes entrevistados no inquérito. Foram aplicados procedimentos de pós-estratificação para reduzir vieses amostrais, mas os números devem ser lidos como um retrato da amostra estudada — não como estimativas exatas para toda a população de Maricá. Detalhes metodológicos e suas limitações estão no Relatório Técnico completo.
? Como ler os termos: "≥5d/sem" significa 5 dias por semana ou mais (o mesmo vale para ≥2d/sem e ≥3d/sem, com o número de dias correspondente). BPC/LOAS é o Benefício de Prestação Continuada, que garante um salário mínimo mensal a idosos e pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade social. Mumbuca é a moeda social do programa de Renda Básica de Cidadania de Maricá.
Panorama geral dos participantes — perfil demográfico, prevalência de DCNT, hábitos de risco e de proteção — sempre comparado por distrito e por faixa etária. Valores referem-se aos participantes entrevistados (Quadro 1).
IndicadorCentroInoãItaipuaçuPonta Negra
PERFIL DEMOGRÁFICO
Amostra (n)6.3612.4891.6921.259
% do total53,9%21,1%14,3%10,7%
Idade média (anos)46,146,646,145,9
PREVALÊNCIA DE DCNT
Hipertensão (%)24,8%30,3%26,4%23,7%
Diabetes (%)12,2%14,8%11,5%11,3%
Colesterol alto (%)7,6%10,7%8,0%6,9%
Triglicerídeos alto (%)2,9%3,9%3,6%1,9%
FATORES DE RISCO
Refrigerante ≥5d/sem (%)11,2%11,8%11,8%11,5%
Ultraprocessados ≥2d/sem (%)48,7%47,5%47,7%48,5%
Álcool ≥3d/sem (%)9,3%7,9%8,3%10,9%
Tabagismo (%)12,8%15,2%15,9%15,4%
Sedentarismo (%)41,5%53,3%41,4%40,6%
FATORES DE PROTEÇÃO
Frutas ≥5d/sem (%)48,0%37,8%47,4%46,6%
Hortaliças ≥5d/sem (%)52,1%50,3%52,9%52,5%
Feijão ≥5d/sem (%)72,6%75,3%69,1%71,9%
Indicador18 a 39 anos40 a 59 anos60 anos ou mais
PERFIL DEMOGRÁFICO
Amostra (n)4.8294.5512.421
% do total40,9%38,6%20,5%
PREVALÊNCIA DE DCNT
Hipertensão (%)6,1%29,5%51,6%
Diabetes (%)2,3%11,8%28,5%
Colesterol alto (%)2,1%8,8%16,7%
Triglicerídeos alto (%)0,8%3,2%6,8%
FATORES DE RISCO
Refrigerante ≥5d/sem (%)17,5%10,1%4,7%
Ultraprocessados ≥2d/sem (%)62,1%46,9%28,8%
Álcool ≥3d/sem (%)11,4%8,7%5,6%
Tabagismo (%)17,1%13,8%11,6%
Sedentarismo (%)39,7%47,4%43,3%
FATORES DE PROTEÇÃO
Frutas ≥5d/sem (%)41,2%44,4%55,0%
Hortaliças ≥5d/sem (%)46,0%53,9%58,4%
Feijão ≥5d/sem (%)72,4%70,7%73,2%
O mesmo panorama, restrito aos participantes que se declararam beneficiários de programas sociais (Mumbuca, Bolsa Família ou BPC/LOAS) — por distrito (Quadro 2). Não há, nas planilhas de origem, o mesmo perfil recortado por faixa etária; no lugar, a segunda aba mostra a prevalência de DCNT por tipo de benefício, onde essa variação de idade aparece indiretamente (o BPC/LOAS, por exemplo, atende majoritariamente pessoas idosas).
IndicadorCentroInoãItaipuaçuPonta Negra
Perfil
Beneficiários (n)2.0361.160540469
% do total de benef.48,4%27,6%12,8%11,2%
Idade média (anos)46,145,846,345,2
DCNT
Hipertensão (%)29,1%33,0%29,8%26,2%
Diabetes (%)14,1%16,6%14,1%12,6%
Colesterol alto (%)8,4%14,1%10,2%7,0%
Triglicerídeos alto (%)3,4%4,4%4,7%2,0%
Risco
Refrigerante ≥5d/sem (%)10,1%12,2%11,6%9,0%
Ultraprocessados ≥2d/sem (%)46,2%48,5%45,6%45,3%
Álcool ≥3d/sem (%)6,0%7,9%7,1%6,7%
Proteção
Frutas ≥5d/sem (%)44,9%40,8%45,9%43,5%
Hortaliças ≥5d/sem (%)50,7%50,5%54,1%49,6%
Feijão ≥5d/sem (%)74,4%75,2%71,2%73,3%

Ao menos uma DCNT autorreferida, por tipo de benefício

Entre os participantes entrevistados, por grupo declarado
Mumbuca
39,1%
Bolsa Família
33,1%
BPC/LOAS
63,1%
Não-beneficiários
30,3%
n total de beneficiários = 4.205. n total = 11.801.
Peso, altura e estado nutricional

Resultados antropométricos

Esta seção reúne os indicadores de peso e altura, aferidos diretamente por entrevistadores treinados, com balanças digitais portáteis e estadiômetros, seguindo o protocolo SISVAN — restritos à subamostra com aferição válida.

28,3 kg/m²
IMC médio entre participantes com medida válida (n = 10.907)
33,4%
Obesidade entre os participantes medidos — acima dos 22,3% do Vigitel 2023 (Brasil)
71,5%
Excesso de peso (sobrepeso + obesidade) entre os participantes medidos
61,9%
da subamostra antropométrica identificada como mulheres

Obesidade por distrito

Entre participantes medidos de cada distrito
Centro
33,6%
Inoã
33,9%
Itaipuaçu
31,8%
Ponta Negra
36,1%
Vigitel BR: 22,3%

Obesidade por faixa etária

Entre participantes medidos de cada faixa
18 a 39 anos
29,3%
40 a 59 anos
40,0%
60 anos ou mais
29,6%
Vigitel BR: 22,3%
Por que a obesidade relatada cai depois dos 60 anos? A prevalência sobe de 29,3% (18-39 anos) para 40,0% (40-59 anos), mas recua para 29,6% na faixa 60+. O relatório aponta três explicações possíveis, não excludentes: viés de sobrevivência, perda de peso associada ao envelhecimento e a doenças crônicas, e um possível efeito de coorte.

Diferença por status de benefício — por distrito

Beneficiário = de programas sociais (Mumbuca, Bolsa Família ou BPC/LOAS)
Centro
Benef.
35,2%
Não benef.
33,0%
Inoã
Benef.
38,3%
Não benef.
30,6%
Itaipuaçu
Benef.
33,1%
Não benef.
31,2%
Ponta Negra
Benef.
41,7%
Não benef.
33,1%

Diferença por status de benefício — por faixa etária

Beneficiário = de programas sociais (Mumbuca, Bolsa Família ou BPC/LOAS)
18 a 39 anos
Benef.
32,1%
Não benef.
27,8%
40 a 59 anos
Benef.
43,8%
Não benef.
38,2%
60 anos ou mais
Benef.
31,6%
Não benef.
28,5%

O que de fato se associa à obesidade?

Comparando os participantes entre si e descontando idade, sexo, benefício e distrito ao mesmo tempo (para não confundir um fator com outro), três diferenças se mantêm consistentes. As demais — inclusive todas as diferenças entre distritos — somem quando esse ajuste é feito, ou seja, não há evidência de que morar em um distrito ou outro, por si só, faça diferença.

+9%
Beneficiários de programas sociais têm 9% mais obesidade do que não beneficiários.
+37%
Pessoas de 40 a 59 anos têm 37% mais obesidade do que pessoas de 18 a 39 anos.
+17%
Mulheres têm 17% mais obesidade do que homens.

Comparações calculadas por regressão de Poisson com variância robusta sobre a subamostra com antropometria válida (n = 10.907); mostrados aqui somente os resultados estatisticamente significativos (p < 0,05).

Janela de oportunidade — obesidade por distrito

Só participantes sem nenhuma DCNT autorreferida
Centro
28,2%
Inoã
29,5%
Itaipuaçu
25,5%
Ponta Negra
32,7%

Janela de oportunidade — obesidade por faixa etária

Só participantes sem nenhuma DCNT autorreferida
18 a 39 anos
26,7%
40 a 59 anos
32,5%
60 anos ou mais
22,2%
68,5% dos participantes (8.086) não relataram nenhuma DCNT diagnosticada — mas ainda assim apresentam fatores de risco antropométricos mensuráveis, o que caracteriza uma janela de oportunidade para prevenção primária antes de um eventual diagnóstico.
Sobre o projeto

Um projeto institucional do IDR

O Inquérito Municipal DCNT constitui um projeto institucional do IDR voltado à produção de informações para subsidiar estudos técnicos e apoiar o planejamento, o monitoramento e a avaliação de políticas públicas. O projeto foi executado por empresa especializada contratada mediante processo licitatório, contemplando todas as etapas previstas no escopo contratual, desde o planejamento operacional até a entrega dos produtos técnicos.

Como o projeto foi conduzido

O projeto em etapas

01

Planejamento do projeto

Definição do objeto, escopo, produtos esperados e cronograma.

02

Contratação

Contratação de empresa especializada mediante processo licitatório.

03

Execução técnica

Preparação operacional, treinamento das equipes, coleta de dados, aferições antropométricas, processamento das informações, análises e elaboração dos produtos técnicos.

04

Consolidação dos produtos

Organização da base de dados, elaboração do relatório técnico, indicadores, tabelas e demais entregas previstas.

05

Disponibilização

Entrega dos produtos ao IDR e disponibilização institucional do material.

Entregas

Produtos

  • Relatório técnico
  • Base de dados
  • Indicadores
  • Tabelas e análises temáticas
  • Subsídios técnicos ao planejamento
Uso pretendido

Aplicações

  • Estudos técnicos
  • Planejamento e monitoramento de ações
  • Elaboração de indicadores
  • Pesquisas acadêmicas
  • Apoio à gestão pública
Como os dados foram coletados

Metodologia

O levantamento foi realizado por meio de entrevistas domiciliares presenciais, com questionário estruturado. As informações sobre condições de saúde e hábitos de vida foram obtidas predominantemente por autorrelato; já as medidas antropométricas (peso e altura) foram obtidas por aferição direta, com balanças digitais portáteis e estadiômetros, seguindo o protocolo do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN).

11.801
participantes adultos (18+) entrevistados
4
distritos: Centro, Inoã, Itaipuaçu, Ponta Negra
VIGITEL
desenho adaptado para aplicação presencial
SISVAN
protocolo de aferição antropométrica
IBGE 2022
pesos de pós-estratificação por distrito, idade e sexo
Poisson
regressão com variância robusta para as comparações de obesidade

Os resultados apresentados devem ser interpretados como um retrato da amostra entrevistada. Os procedimentos metodológicos detalhados, as limitações do desenho amostral e as escolhas técnicas adotadas no projeto estão descritos no Relatório Técnico completo.

Quem conduziu o projeto

Responsabilidades

Coordenação institucional

Instituto Municipal de Informação e Pesquisa Darcy Ribeiro (IDR)

Execução técnica do projeto

IEPC — Instituto de Estudos e Progresso da Ciência

Empresa contratada mediante processo licitatório, responsável pela execução das atividades previstas contratualmente e pela elaboração dos produtos técnicos.