Quase metade chefia sozinha a própria casa. Uma em cada três mães cria os filhos sem parceiro(a). Uma em cada três exerce trabalho remunerado. E uma em cada seis já sofreu violência por ser mulher. Este é o retrato levantado por uma pesquisa domiciliar probabilística com 1.430 mulheres, representando as 81.638 residentes do município com 18 anos ou mais.
são chefes de família — a principal responsável pelo domicílio
das mães criam os filhos sozinhas, sem parceiro(a) no domicílio
exercem atividade remunerada (sobe para 45,8% entre 18 e 59 anos)
dedicam-se ao cuidado não remunerado de alguém da família
relatam ter sofrido violência por ser mulher nos últimos 5 anos
afirmam ter autonomia ou controle sobre as próprias finanças
Escolha um indicador para colorir o mapa e clique em um distrito ou bairro: o cartão ao lado mostra o valor selecionado, e o painel abaixo compara todos os indicadores do território com a média de Maricá.
Clique em um distrito no mapa.
Identidade, educação, trabalho, cuidado, saúde e violência — os principais achados da pesquisa, tema a tema.
A mulher maricaense típica se autodeclara parda (41,4%) ou branca (39,2%), tem entre 45 e 60 anos ou mais — faixas que concentram 68% da amostra — e, em 77,5% dos casos, professa alguma religião, majoritariamente evangélica.
A maioria (84,2%) tem filhos, geralmente já adultos, e quase metade (49,2%) é a principal responsável pelo domicílio — e, entre as chefes de família, a imensa maioria não divide as despesas com mais ninguém.
Complementos: 52,1% residem no município há mais de 10 anos · 19,0% têm alguma deficiência ou condição de saúde que requer apoio permanente (82% com acesso a tratamento, majoritariamente pelo SUS) · cerca de 20% precisam emitir algum documento — sobretudo o Registro Geral (RG).
Quase metade das mulheres (44,8%) parou nos estudos no ensino médio ou técnico; 23,8% chegaram ao superior. Mas 26,6% interromperam os estudos em algum nível — na maioria dos casos, ainda no fundamental.
O motivo mais citado para abandonar a escola não foi falta de vontade: 40,4% precisaram trabalhar. Cuidar de familiares e gravidez também aparecem entre as razões mais comuns. Hoje, apenas 4,4% das mulheres adultas do município seguem estudando.
Apenas 34,6% das mulheres exercem atividade remunerada — índice que sobe para 45,8% quando se considera só a população em idade potencialmente ativa (18 a 59 anos), já que Maricá tem parcela expressiva de idosas aposentadas.
Entre as que trabalham, quase metade (47,7%) é autônoma, e 63,7% dessas autônomas estão na informalidade. A renda pessoal é baixa: 51,1% ganham até um salário mínimo. Ainda assim, 79,6% dizem ter autonomia financeira.
No empreendedorismo, 25,8% já tiveram ou têm negócio próprio — sobretudo no setor alimentício — mas 70% desses negócios não contam com reserva financeira para emergências. E 20,2% das mulheres relatam insegurança alimentar grave em casa.
30,1% das mulheres exercem cuidado não remunerado de alguém — na maioria, de crianças entre 4 e 12 anos. Mais da metade delas dedica mais de 12 horas por dia a essa tarefa nos dias úteis, índice que sobe nos fins de semana.
Apenas 12,3% dessas cuidadoras contam com ajuda de outra pessoa. E, entre as mulheres em geral, 53,9% não têm nenhuma rede de apoio — 34% já recusaram trabalho ou estudo por essa falta de suporte.
Três em cada quatro mulheres (74,8%) fazem acompanhamento médico regular, e 57,5% avaliam o acesso à saúde no município como bom ou ótimo. Mas entre as que buscaram atendimento especializado nos últimos três meses, 53,4% tiveram dificuldade — sobretudo em clínica médica e ginecologia/obstetrícia.
Na saúde mental, 24,7% já buscaram apoio psicológico e 59,8% dizem que sua saúde mental seguiu igual após a pandemia. Programas de apoio emocional aparecem como a política pública mais desejada por elas.
Três em cada quatro mulheres (74,1%) se sentem totalmente seguras no próprio bairro. Ainda assim, 17,1% relatam ter sofrido algum tipo de violência por ser mulher nos últimos cinco anos.
Pouco mais da metade conhece a Casa da Mulher Heloneida Studart (50,7%) ou a Ronda Maria da Penha (54,9%) — e 83,2% consideram muito importante a criação de uma Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher no município.
O gráfico ao lado consolida as perguntas sobre violência testemunhada contra outras mulheres nos últimos 12 meses. Em todos os contextos — de abordagens desrespeitosas a agressões físicas — o agressor identificado é, na maioria esmagadora dos casos, um homem.
O relatório técnico (112 páginas, 122 figuras) segue disponível na íntegra como referência.
Metodologia detalhada, as 122 figuras originais e as considerações finais.
Baixar PDF →Desenho amostral, ponderação e especificações dos testes estatísticos.
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