Maricá, 2025 — Secretaria de Políticas e Defesa dos Direitos das Mulheres · IDR

Quem são as mulheres de Maricá

Quase metade chefia sozinha a própria casa. Uma em cada três mães cria os filhos sem parceiro(a). Uma em cada três exerce trabalho remunerado. E uma em cada seis já sofreu violência por ser mulher. Este é o retrato levantado por uma pesquisa domiciliar probabilística com 1.430 mulheres, representando as 81.638 residentes do município com 18 anos ou mais.

1.430Entrevistas
187Setores
95%Confiança
±3%Margem
49,2%

são chefes de família — a principal responsável pelo domicílio

33,2%

das mães criam os filhos sozinhas, sem parceiro(a) no domicílio

34,6%

exercem atividade remunerada (sobe para 45,8% entre 18 e 59 anos)

30,1%

dedicam-se ao cuidado não remunerado de alguém da família

17,1%

relatam ter sofrido violência por ser mulher nos últimos 5 anos

79,6%

afirmam ter autonomia ou controle sobre as próprias finanças

Um município de quatro distritos

Escolha um indicador para colorir o mapa e clique em um distrito ou bairro: o cartão ao lado mostra o valor selecionado, e o painel abaixo compara todos os indicadores do território com a média de Maricá.

Território

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Todos os indicadores — Maricá (média do município)

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Seis dimensões da vida das mulheres maricaenses

Identidade, educação, trabalho, cuidado, saúde e violência — os principais achados da pesquisa, tema a tema.

01 — Identidade

Pardas, de meia-idade, mães e chefes de casa

A mulher maricaense típica se autodeclara parda (41,4%) ou branca (39,2%), tem entre 45 e 60 anos ou mais — faixas que concentram 68% da amostra — e, em 77,5% dos casos, professa alguma religião, majoritariamente evangélica.

A maioria (84,2%) tem filhos, geralmente já adultos, e quase metade (49,2%) é a principal responsável pelo domicílio — e, entre as chefes de família, a imensa maioria não divide as despesas com mais ninguém.

A chefia familiar entre as mulheres de Maricá já supera a média nacional observada em 2022.
Faixa etária

Complementos: 52,1% residem no município há mais de 10 anos · 19,0% têm alguma deficiência ou condição de saúde que requer apoio permanente (82% com acesso a tratamento, majoritariamente pelo SUS) · cerca de 20% precisam emitir algum documento — sobretudo o Registro Geral (RG).

02 — Educação

O abandono escolar acontece por necessidade, não por desinteresse

Quase metade das mulheres (44,8%) parou nos estudos no ensino médio ou técnico; 23,8% chegaram ao superior. Mas 26,6% interromperam os estudos em algum nível — na maioria dos casos, ainda no fundamental.

O motivo mais citado para abandonar a escola não foi falta de vontade: 40,4% precisaram trabalhar. Cuidar de familiares e gravidez também aparecem entre as razões mais comuns. Hoje, apenas 4,4% das mulheres adultas do município seguem estudando.

Entre quem parou no fundamental, 51,8% tem 60 anos ou mais — um recorte importante para políticas de EJA.
Motivo de interrupção dos estudos
03 — Trabalho e renda

Poucas trabalham, e o trabalho ainda é precário

Apenas 34,6% das mulheres exercem atividade remunerada — índice que sobe para 45,8% quando se considera só a população em idade potencialmente ativa (18 a 59 anos), já que Maricá tem parcela expressiva de idosas aposentadas.

Entre as que trabalham, quase metade (47,7%) é autônoma, e 63,7% dessas autônomas estão na informalidade. A renda pessoal é baixa: 51,1% ganham até um salário mínimo. Ainda assim, 79,6% dizem ter autonomia financeira.

No empreendedorismo, 25,8% já tiveram ou têm negócio próprio — sobretudo no setor alimentício — mas 70% desses negócios não contam com reserva financeira para emergências. E 20,2% das mulheres relatam insegurança alimentar grave em casa.

Faixa de renda pessoal mensal
04 — Economia do cuidado

Quem cuida, cuida sozinha

30,1% das mulheres exercem cuidado não remunerado de alguém — na maioria, de crianças entre 4 e 12 anos. Mais da metade delas dedica mais de 12 horas por dia a essa tarefa nos dias úteis, índice que sobe nos fins de semana.

Apenas 12,3% dessas cuidadoras contam com ajuda de outra pessoa. E, entre as mulheres em geral, 53,9% não têm nenhuma rede de apoio — 34% já recusaram trabalho ou estudo por essa falta de suporte.

Mesmo trabalhando mais de 12h/dia somando trabalho remunerado, doméstico e cuidado, quatro em cada dez mulheres dizem dedicar só até uma hora por dia a si mesmas.
Cadeia da sobrecarga (mulheres, estimativa)
05 — Saúde

O acesso existe, mas a barreira aparece na hora da especialidade

Três em cada quatro mulheres (74,8%) fazem acompanhamento médico regular, e 57,5% avaliam o acesso à saúde no município como bom ou ótimo. Mas entre as que buscaram atendimento especializado nos últimos três meses, 53,4% tiveram dificuldade — sobretudo em clínica médica e ginecologia/obstetrícia.

Na saúde mental, 24,7% já buscaram apoio psicológico e 59,8% dizem que sua saúde mental seguiu igual após a pandemia. Programas de apoio emocional aparecem como a política pública mais desejada por elas.

Área com mais dificuldade de atendimento
06 — Violência

O agressor, quando existe, é quase sempre um homem

Três em cada quatro mulheres (74,1%) se sentem totalmente seguras no próprio bairro. Ainda assim, 17,1% relatam ter sofrido algum tipo de violência por ser mulher nos últimos cinco anos.

Pouco mais da metade conhece a Casa da Mulher Heloneida Studart (50,7%) ou a Ronda Maria da Penha (54,9%) — e 83,2% consideram muito importante a criação de uma Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher no município.

O gráfico ao lado consolida as perguntas sobre violência testemunhada contra outras mulheres nos últimos 12 meses. Em todos os contextos — de abordagens desrespeitosas a agressões físicas — o agressor identificado é, na maioria esmagadora dos casos, um homem.

Materiais completos

O relatório técnico (112 páginas, 122 figuras) segue disponível na íntegra como referência.

Relatório completo (PDF)

Metodologia detalhada, as 122 figuras originais e as considerações finais.

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Microdados anonimizados

Base tratada para pesquisadores e imprensa.

Em preparação →

Metodologia e ficha técnica

Desenho amostral, ponderação e especificações dos testes estatísticos.

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